quarta-feira, novembro 15, 2006

E tem toda a razão o camarada...

E tem toda a razão o camarada Tonibler ao contribuir assim no Blasfémias, informação de João Miranda.

Anda o pessoal a trabalhar afincadamente para destruir (*) a capacidade de ensinar e de aprender e vinham agora os papás com ideias de “Liberdade (até me arrepiei) de ensino”. Isto só lá vai mesmo com um camarada “tipo Fidel”, na senda do ensino uno e bom, como o cubano.

Então se “tivemos todos (!!!???) a mesma oportunidade de dizer o que gostamos que se ensine”, foi para ensinar (formatar) as criancinhas todas por igual...não foi para que as criancinhas aprendam a pensar pela sua cabecinha.

É assim mesmo camarada, em frente, que o caminho para os “amanhãs que cantam” é longo e tortuoso. Mas não perca a esperança que tudo indica que é possível...

(*) Vale seguir a sugestão de Helena Matos, no Blasfémias, e ler Vasco Graça Moura no DN sobre a TLEBS.

9 comentários:

Tonibler disse...

Camarada Ricardo,

Lembra-se das opções que teve no seu percurso escolar? Quais sairam da sua lavra? Da lavra dos seus encarregados educação? Escolheu o quê naquilo que entendeu aprender?

Tem alguma dúvida que aquilo que foi o seu ensino foi decidido por alguém sem lhe dar oportunidade nenhuma de sair do previamente definido?

E mais, espera que os meus impostos sirvam para pagar as suas vontades? E ainda mais, espera que, tendo a educação a importância que tem, eu vou ter concidadãos que não cumprem?

Parece-lhe de Fidel, mas aquilo que está aí em cima chama-se escolaridade obrigatória.

ricardo disse...

Meu caro,

Eu não quero que os seus impostos paguem a minha escola, e muito menos que os meus paguem a sua.

Eu não me importo (mas isto sou eu) que os meus impostos paguem a escola de quem não pode pagar, porque gostaria que todos tivessem acesso a um (bom) ensino. Quanto a isto estamos conversados.

Agora para que todos tenham acesso à escola esta não tem que ser estupidificante nem soviética.

O que eu defendo -pode ver num post meu- é:
1) autonomia nos projectos educativos, e
2) liberdade de escolha pelos pais, para a qual, entre outros instrumentos, existe o cheque ensino.

Modelos sovieticos e de lavagem cerebral por gente ignorante (nem por gente genial aceitaria) é que não, obrigado!

Tonibler disse...

Camarada Ricardo,

Isto não é apenas uma questão de dinheiro e a questão do cheque é lateral e em nada invalida aquilo que estou a dizer. A educação é o cimento da nação, é uma boa parte da razão pela qual nos chamamos portugueses e nos protegemos uns aos outros. Por isso ensinamos história cheia de mentiras e português.
E não é um direito que damos aos pais, é uma obrigação que impomos aos filhos, os pais aqui só têm deveres, não têm direito nenhum. Aos pais damos o dever de colocarem o filho sob um programa educativo definido por nós e sem grande hipótese de desvio.
Cheque? Tudo bem, desde que seja aplicado em local que ensine aquilo que defini...

Não há liberdade de ensino em local nenhum do mundo. Nenhum. Porque a educação é tão ou mais importante para a defesa das nações que as forças armadas. Pode escolher a escola à vontade, mas ao fim do dia toda a gente lhe vai pedir os conhecimentos impostos.

ricardo disse...

fico sem palavras!

volte sempre, que será bem vindo.

cmonteiro disse...

Camarada Ricardo,

Explique-me porque é que na escola secundária existem x horas de Português, y de matemática, z de biologia, etc etc?...

É porque ao Estado, à Nação, ao país, interessa que os seus cidadãos tenham determinado nível de conhecimentos nessas matérias, não é?


Consegue agora compreender porque não é do interesse do Estado que a semana seja toda ocupada só com Educação Visual (ainda se chama assim?) ou com Educação Física, se assim fosse a oppção "liberal" dos alunos?...

Por muito que lhe custe a aceitar, nenhum individuoo é livre de escolher o seu caminho nesta matéria, 1º) porque uns têem capacidade de escolha e outros não (sim, há alguém a decidir por eles o que é melhor), e 2º) acima de tudo porque os pais não têm nada a ver com o assunto dado que ao país não interessa ter só pessoas com formação em EV ou EF. Não há qualquer liberalismo, não haverá, não pode haver, e o meu caro precisa de começar a tirar essas teorias do "mundo ideal liberal" da cabeça, porque isso não existe.

Arnaldo Madureira disse...

Declaração Universal dos Direitos do Homem
Adoptada e proclamada pela Assembleia Geral na sua Resolução 217A (III) de 10 de Dezembro de 1948.
Publicada no Diário da República, I Série A, n.º 57/78, de 9 de Março de 1978, mediante aviso do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Artigo 26.º

3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.

cmonteiro disse...

Xiii... uma que é letra morta...

Arnaldo Madureira disse...

A educação dada pelos pais sobrepõe-se à dada pela escola. E dentro da escola a educação dada pelo currículo oculto sobrepõe-se à dada pelo currículo exposto obrigatório. Não é de maneira nenhuma indiferente de quem se é filho. Não é de maneira nenhuma indiferente qual a escola - inclusivé entre as estatais - em que se matricula os filhos. As classes que estão em vantagem estarão sempre em vantagem, enquanto o Estado centralizar o sistema educativo. Sabe que é mais importante o resultado do que a intenção? Tem a certeza que é esta a "igualdade" que pretende?

ricardo disse...

Caro Arnaldo Madureira,

Totalmente de acordo em que "As classes que estão em vantagem estarão sempre em vantagem, enquanto o Estado centralizar o sistema educativo."

volte sempre, que será bem vindo.