quinta-feira, agosto 07, 2008

"O Povo e as Elites"

Muito bom, de António Alves em "a Baixa do PORTO":

"Os concelhos, mesmo reunidos, não têm autonomia política para decidir como distribuir o investimento estatal ou decidir sobre políticas macroeconómicas. Não têm e nunca terão. Esse nível de decisão está reservado ao estado central, aos governos autónomos ou de estado federado.

...por exemplo, um saldo de 100 euros por cada cidadão desta região a favor do estado central é o mesmo que dizer 370 milhões de euros num só ano. Isto é, nós pagaremos praticamente num só ano a renovação da marginal ribeirinha lisboeta (400 M €); ou então que pagaremos em apenas dois anos e pouco a primeira fase do ‘TGV’ Porto-Vigo (845 M €); ou, ainda, que já pagámos, em apenas pouco mais de um ano, a renovação do Aeroporto Sá Carneiro (500 M €).

O povo? O que é isso do povo? O povo não é uma entidade homogénea e politicamente determinada. Não é sequer determinante. Determinantes são as elites. Sempre foi assim e assim continuará a ser por muito que isso custe aos românticos que vêem o povo como uma entidade mítica carregada de bondade. O mito do povo vem na sequência da invenção do conceito de estado-nação, que o insuspeito Adriano Moreira considera que não existe, porque na realidade poucos coincidem com verdadeiras nações. O que existe é o estado soberano, cuja génese está na renascença e no iluminismo, consolidou-se no séc. XIX e foi levado ao extremo pelos fascismos e comunismos da primeira metade do séc. XX.

A entidade homogénea e soberana ‘povo’ não existe. O que existem são indivíduos e grupos sociais com os mais variados interesses e objectivos, a mais das vezes contraditórios e incompatíveis entre si. A definição sociológica, na minha opinião, mais correcta do que normalmente se chama ‘povo’ é o conjunto dos grupos sociais economicamente mais débeis e sem real poder político. Entenda-se poder político como capacidade de controlo e repartição dos recursos, principalmente os económicos. E quem controla esses recursos são as elites.

As elites são na verdade o motor de qualquer mudança e revolução. E essas, as revoluções, acontecem quando uma nova elite ambiciosa derruba uma outra já cristalizada.

...

Nos últimos dias, a propósito do aeroporto, têm havido boas indicações acerca da vontade das elites. Vamos ver até onde elas são capazes de ir.

...

O princípio da subsidiariedade. Que as elites locais governem localmente, com autonomia, os recursos locais em favor das pessoas da sua região. Para isso é necessário um nível de governo local com poderes suficientes tanto a nível político como orçamental e fiscal. Um governo que possa, por exemplo, decidir como deve ser gerida uma infra-estrutura importantíssima para a internacionalização da nossa economia como é o Aeroporto Sá Carneiro e que tenha poder para evitar que tanto esta, como qualquer outra, infra-estrutura local seja subalternizada e posta ao serviço de interesses alheios ao desta região. Ou então decidir quais são as infra-estruturas prioritárias em que deve ser aplicado o produto dos nossos impostos. Coisas que, está mais que provado, o actual estado central não sabe ou não quer fazer. A mudança de paradigma é o governo autónomo, fim do estado centralizado, implementação, por exemplo, dum sistema do género federal.

(ler texto completo em "a Baixa do PORTO")

domingo, junho 29, 2008

La Furia Roja

Se dúvidas houvessem, ver Espanha jogar confirmou quão longe estava Portugal de ser uma grande selecção.

Parabéns Espanha!

domingo, maio 11, 2008

Futebol á parte…


António Barreto escreve, hoje, no Público, um texto incontornável.

Tri-Campeão e companhia







Foi quase quase perfeito...o Campeão (Tri-Campeão!) terá companhia do Vitória de Guimarães na "Champions" e do Leixões na próxima Liga Bwin.

Até a festa dos lampiões foi bonita, com o adeus ao Rui Costa e a comemoração da ida à Uefa. O que vale é que para o ano é que vai ser, sem o Rui é certo mas com o Eriksson, que já se começou hoje a ambientar à nova casa.

segunda-feira, maio 05, 2008

Vale a pena copiar palavra por palavra

Medidas simples contra a crise alimentar, Publicado por LR em 5 Maio, 2008

"Não é preciso complicar muito nem criar task forces que se eternizariam à custa de todos. Bastaria:

-Extinguir a PAC e os subsídios à agricultura americana;
-Extinguir os subsídios públicos aos biocombustíveis;
-Acabar com as restrições aos organismos geneticamente modificados;
-Abrir por completo os mercados do ocidente aos produtos agrícolas do 3º Mundo;
-Abertura completa dos países do 3º Mundo ao investimento estrangeiro, permitindo deslocalizar para eles os agricultores europeus e americanos e todo o respectivo know-how.
-Em pouco tempo, a oferta de produtos agrícolas multiplicar-se-ia, os preços baixariam e milhões de pessoas deixariam de morrer à fome."

Mas num mundo onde as "task forces" são a "solução"...

Liberal...ou não!!!

Vale a pena dar uma oportunidade, e esperar que o CAA, o Maradona e o Tonibler estejam enganados…

Mas que não gostei nada da resposta
«confessou que já foi “um grande adepto” das regiões administrativas, mas acrescentou que entretanto alterou essa posição, assumindo-se agora como um “defensor da descentralização política», lá isso não gostei.
Isto ou se é a favor da Regionalização, “pacote completo”, ou é mais do mesmo. Já nos chega dos que usam este discurso para centralizar ainda mais, e não há paciência para mais ingénuos, dos que acreditam que se vai lá com descentralizações.

Bem sei que temos que descontar uma certa "pinta" ao Maradona, mas que não é lá muito animadora a ideia de mais uma "incontável quantidade de betos exactamente iguais uns aos outros: pessoas com aqueles trinta anos, com aqueles casaquinhos, com aqueles cabelos, com aquele estilo, com aquela conversa...", lá isso não é.

Temos que ser optimistas e acreditar que é o mais perto do "liberal" que se consegue, que "estatistas" já temos que chegue.

quarta-feira, abril 30, 2008

Liberal?

Carta de valores apresentada por Pedro Passos Coelho:

Os essenciais:

1. Pessoa – Defendo o indivíduo na plena posse dos seus direitos e deveres, marca essencial da matriz social democrata. Rejeito os “ismos” que, em nome de ideologias, sacrificam as pessoas e promovem a existência de uma burocracia sem rosto. Esta candidatura tem por referência a pessoa com as suas capacidades e anseios, mas também com as suas limitações e com as suas necessidades.

2. Liberdade – A liberdade é o valor que nos une e de que não abdicamos em nome de qualquer interesse de ocasião. Quero uma liberdade responsável, onde cada um possa viver com a consequência das suas decisões. Esta candidatura vai falar de liberdade, com liberdade. Quero mais liberdade no espaço público, mais liberdade na actividade económica, mais liberdade na vida privada, mais liberdade no exercício pleno da cidadania. A liberdade não se garante pela mera proclamação. A liberdade constrói-se, dia a dia, num processo de conquista permanente em que o PSD deverá empenhar-se cada vez mais.

8. Mérito – Esta candidatura acredita no mérito, como afirmação autónoma de qualidade. Desejo um PSD que promova a excelência dentro de si próprio, pautando-se por princípios de abertura e de sintonia com a sociedade civil. Valorizo a iniciativa individual, a iniciativa dos agentes económicos e das organizações sociais, que na diversidade da sua riqueza estruturam e consolidam a sociedade portuguesa. Esta candidatura é a expressão de uma iniciativa individual, sem temer dificuldades e sem quaisquer garantias prévias de adesão. Por isso dou valor ao empreendedorismo e à capacidade de iniciativa dos portugueses. Acredito que a criatividade individual é o mais potente motor do progresso comum. Será minha prioridade criar condições que potenciem a energia criativa de todos e cada um de nós.

9. Autoridade - Defendo que o exercício do poder democrático deve ser claro e determinado na defesa do bem comum. Rejeito, sem hesitar, todo e qualquer autoritarismo, mas considero que a democracia e a liberdade não podem sobreviver sem uma justiça que o seja de pleno e sem o respaldo de uma autoridade legítima e respeitada. É meu propósito reconstruir essa autoridade legítima e respeitada do Estado, sem tibiezas nem complexos.

10. Oportunidade – Ambiciono que Portugal seja uma terra de justas oportunidades para todos. O PSD vai criar condições para que a diversidade e a igualdade de oportunidades sejam uma realidade e não meras declarações de intenções. A diversidade de oportunidades é essencial para a realização das aspirações de cada um. É o ponto de partida para o aproveitamento colectivo dos benefícios da iniciativa individual. Uma oportunidade disponível é um passo para uma realização pessoal e ninguém pode ser impedido de a concretizar. Entendo que na diversidade de escolhas se constrói uma sociedade mais coesa, mais tolerante, mais livre, mais plural, mais responsável.

Os óbvios, tão óbvios que nem deveriam ser proclamados:

3. Verdade – Falaremos verdade, pois só assim é possível acreditar que, todos juntos, podemos resolver os graves problemas do País. Recuso a política das meias palavras determinadas pela mera vontade de somar votos ou pelas conveniências da conjuntura. A verdade é para mim um imperativo ético e um compromisso de honra. Esta é uma candidatura de verdade. Não desisto dos objectivos, não vacilo na determinação e não escamoteio as dificuldades. Só um compromisso com a verdade legítima a acção política. Em democracia, uma escolha falseada é uma escolha ferida de morte.

4. Confiança – Assumo a determinação de restituir a confiança aos portugueses. A confiança no PSD e a confiança no exercício da política colocada ao serviço do cidadão e da cidadania. Quero um PSD credível para voltar a merecer a confiança dos portugueses. Para isso assumo a exigência de reconstruir a base programática da social democracia, de restituir ao PSD um rumo claro e ajustado à sociedade dos nossos dias, reflectindo os anseios e as ambições das novas gerações.

5. Esperança – Esta é uma candidatura de esperança. Quero um Portugal renovado; recuso um Portugal adiado e entregue à desilusão. A esperança é o pilar da minha determinação. Não me conformo com fatalismos, nem aceito o comodismo da mediocridade. Acredito nos portugueses, na sua criatividade, na sua capacidade de criar riqueza, no seu imenso potencial de construir uma sociedade mais justa e mais solidária. A esperança é possível. Os portugueses precisam que lha devolvamos.

6. Mudança – Há momentos em que é preciso assumir a coragem de mudar. Acredito convictamente numa mudança que tenha a marca da evolução. Proponho desde logo uma mudança profunda no PSD. E ambiciono uma nova evolução para Portugal, restituindo a esperança aos portugueses. Sei o que representa mudar. Quero que o PSD se reencontre com o melhor de si próprio, com a sua história e com o seu enorme potencial futuro. Só então o PSD poderá ser capaz de construir e de apresentar um projecto estratégico para Portugal. O PSD conduziu as principais transformações que possibilitaram a consolidação do Portugal democrático. É hora de o PSD construir uma nova ambição para Portugal, uma ambição em que os portugueses se possam rever e acreditar.

7. União – Esta candidatura acredita na união de propósitos, não acredita no unanimismo de conveniências. A melhor união é a que se faz na diversidade. Por isso não quero a união pela união, nem a aceito como um fim em si mesmo. A união deve ser conjugada com o princípio da responsabilidade institucional, não deve ser um factor limitativo do pluralismo. A promoção do debate de ideias e do confronto de pontos de vista é o mais seguro caminho para consolidar opções. Defendo a necessidade de união dos militantes do PSD no propósito de construir um projecto transformador para Portugal.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O Dever da Verdade

Este fim-de-semana li "O Dever da Verdade" de Medina Carreira, um livro pequeno em páginas mas importante em conteúdo.

Medina Carreira trata neste livro -publicado em Setembro de 2007, sob a forma de uma extensa entrevista- de factos, e de uma forma simples e directa demonstra como é que o país caminha para a exaustão, com uma “população «asilada» no Estado e que vive à custa dos impostos que ultrapassa já os 5 milhões (…) que correspondem a mais de 50% dos residentes e a 60% do eleitorado”, e os seus cidadãos para a escravidão.

Sempre que falarmos de Portugal e da relação do Estado com (contra!) os cidadãos (e à custa dos contribuintes!), valia a pena reler este livro, porque apesar de reflectir o que Medina Carreira pensa e afirma, é de factos que trata. E factos são factos, mesmo quando a maioria não os quer ver.

p.s.1 - Vale a pena ler o que
aqui é dito sobre este livro;

p.s.2 - Ricardo Costa é (!) co-autor do livro, para o qual contribui com perguntas, a maioria das quais já foram ou seriam feitas por qualquer jornalista, a Medina Carreira. Ele é foto na capa, é resumo do CV, foto e texto na contracapa...e falta de vergonha na forma como se “apropria” do saber de Medina Carreira, única razão pela qual as pessoas compram o livro.

domingo, dezembro 30, 2007

«Por que no te callas?»

“Responsável da ASAE diz haver restaurantes a mais”…e que Portugal tem "três vezes mais restaurantes por habitante do que a média europeia"…ora, como é “evidente” para o senhor ”Isto não tem viabilidade económica"…

Quais mercado, quais liberdade de escolha em abrir restaurantes e os clientes escolherem os que singram e os que fecham…é para fechar e mais nada! “Diz” o senhor estas aleivosias, ao melhor estilo soviético, sem que ninguém o mande calar!

Mas, sorte a nossa, “tudo o que se fazia antigamente dentro das casas das pessoas continua a fazer-se”...

É de reparar no pormenor do "contínua a fazer-se"…sim, continua por ora, porque lá chegará o dia em que também se tratará do que as pessoas fazem dentro das suas casas.

Triste sina esta, a de uma país que não preza e não luta pela liberdade!

sábado, dezembro 15, 2007

citando

"Vivemos sobre um despotismo 'iluminado' que não aceita a irregularidade, a dissidência, o direito de cada um à sua própria vida e ao uso irrestrito da sua própria cabeça."

Vasco Pulido Valente, 2007.11.25

domingo, dezembro 02, 2007

isto das trivelas é assim









"Trivela é um tipo de passe/remate aplicado no futebol. É uma técnica de passe/remate relativamente recente e ainda pouco utilizada pela generalidade dos futebolistas (e, acrescento eu, pela generalidade dos clubes), pois exige uma particularmente elevada capacidade técnica (que, acrescento eu, esses clubes manifestamente não têm). Executado com a parte exterior do , é de difícil execução, mas também de grande espectacularidade e imprevisibilidade (e, acrescento eu, é coisa para dar um TRI...coisa habitual, por sinal).", in Wikipédia.

sexta-feira, outubro 05, 2007

e eu que nunca me tinha lembrado disto...

"Gostaria de propor aos portugueses um novo olhar sobre a escola, sobre o modelo escolar construído à luz da ideia da inovação social"
...afirmou o presidente da República.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Bem sei que este raio de taça foi criada para ver se os outros ganham alguma coisa, mas porra, não havia necessidade

Ainda por lá havia um par de fotos que os nervos não me permitiram copiar...

"Jesualdo diz que está triste, «frustrado e com algum sentimento de vergonha». Algum? É caso para isso. Para ter muita vergonha na cara, depois de repetir a gracinha do ano passado, no jogo com o Atlético. Ele e a canalha que jogou daquela maneira, como uma equipa de bovinos esdrúxulos, um bando de repolhos mancomunados em púrria para envergonhar as camisolas do FC Porto e todo o brio que os seus adeptos merecem.Poupar a equipa? Como é possível pensar numa barbaridade dessas ao fim de seis jogos, nem por isso absolutamente brilhantes? Como é possível que esse bando de avestruzes coxas se comporte em campo dessa maneira, como se estivesse à espera da «paragem de Inverno»?"

Em "O cantinho do hooligan. Nova aparição da Sra. de Fátima".

domingo, setembro 23, 2007

caminho sinuoso, mas imparável

"O procurador-geral da República (PGR) vai ficar sem autonomia para atribuir a uma determinada polícia uma investigação criminal. É o que resulta da proposta de Lei da Organização da Investigação Criminal (LOIC) que o Governo está a preparar para levar à Assembleia da República (AR). Este futuro diploma vai obrigar a que o PGR, antes de tomar uma decisão daquele teor, consulte sempre o secretário-geral do Sistema Integrado de Segurança Interna (SISI), que depende do primeiro-ministro."

Com tranquilidade

ele há coisas que são como são e assim é que são boas.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Regionalização - quanto mais se espera...

mais o Norte, o Centro e Portugal se vão afundando...
"Não há, em nenhum país da União Europeia a Quinze, uma única região com menor capacidade para criar riqueza do que o Centro e o Norte de Portugal"