quinta-feira, dezembro 07, 2006

Como disse?

Já não é novidade para ninguém. O Ministro da Economia é um homem feliz.

Feliz com a sua condição de Ministro. Com a ilusão de que eventuais melhorias na economia a ele se devem. Diria mesmo que, mais do que feliz, o homem está deslumbrado com o cargo, com os holofotes da fama e com o sonho da sua beatificação como Santo Milagreiro das Economias Deprimidas.

E é vê-lo, numa autêntica roda-viva, a saltitar de terra em terra, de conferência em conferência, anunciando a boa-nova aos infiéis. Mas do que ele gosta mesmo é de inaugurações. Inaugura oficinas mecânicas, festeja investimentos de 1.000 Euros, emite comunicados eufóricos se uma multinacional decide ficar mais três meses em Portugal.

Não querendo ser má-língua, desconfio que o senhor nunca tinha entrado numa empresa na sua vida pré-ministerial. Mas agora que já entrou, e que descobriu que até há boas empresas em Portugal, ninguém o segura. Chega mesmo a acreditar que um Ministério e um Ministro da Economia são úteis ao país. E isso já começa a ser exagero.

Mas o melhor ainda estava para vir. Na sua visita de ontem à Vangest (Marinha Grande) para a inauguração da divisão de indústria aeronáutica, o Sr Ministro Manuel Pinho, ainda comovido com o que acabara de ver, mostrou a sua face mais ingénua e deslumbrada e, numa frase, anunciou todo um programa e uma ideologia.
Perigosos, muito perigosos. Demasiado. Por momentos pensei que ouvira mal, mas numa segunda audição o pesadelo assumia contornos de realidade. E que anunciava o Salvador? Que não compreendendo por que a Auto-Europa ainda não era cliente da Vangest, já que esta era uma empresa tão boa, iria conversar com os senhores daquela para lhes iluminar as limitadas mentes e os ajudar a compreender os benefícios de mudarem de fornecedor.

Sim. Isso mesmo. Além de inaugurador-mor do reino e de conferencista militante, o Sr. Ministro agora converteu-se em agente comercial das empresas que visita.

Olhe lá ó excelência, não quer dar aqui um salto ao meu estaminé? É que o nosso comercial está na baixa e com o novo salário mínimo, está caro contratarmos outro. E já que pagamos impostos para o senhor ter motorista, sempre poupávamos na carrinha. Podemos contar consigo?

Obrigado, senhor.

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